Sexta-feira, 25.02.11

O Mistério da Estrada de Sintra #16

Houve um filósofo que deixou aos infelizes esta máxima: «Se a tua dor te aflige, faz dela um poema.».


 


O Mistério da Estrada de Sintra,  Capítulo "As Revelações de A.M.C.", Parte IV


 



publicado por Queirosiana às 11:08 | link do post | comentar

O Mistério da Estrada de Sintra #15

Fora dos interesses da elegância, da moda, talvez da arte, que conhecia ela de sério e de grave na vida, senão a religião e o amor? Tinha um missal e um marido. É pouco para o equilíbrio de uma alma, principalmente desde que o missal cessa de convencer e o marido cessa de amar.


 


O Mistério da Estrada de Sintra,  Capítulo "As Revelações de A.M.C.", Parte IV


 



publicado por Queirosiana às 10:03 | link do post | comentar
Quarta-feira, 23.02.11

O Mistério da Estrada de Sintra #13

Deleita-te conversando depois contigo e repousando-te no seio tépido da melancolia, dessa deliciosa fada que só aparece evocada pelos namorados e poelos solitários, e que é na terra a irmã mais nova da tristeza, a irmã gâtée, a irmã feliz!


 


O Mistério da Estrada de Sintra,  Capítulo "De F... Ao Médico"


 


 

publicado por Queirosiana às 11:55 | link do post | comentar

O Mistério da Estrada de Sintra #12

A mocidade que nos sucedeu, em vez de ser inventiva, audaz, revolucionária, destruidora de ídolos, parece-nos servil, imitadora, copista, curvada demais diante dos mestres. Os novos escritores não avançam um pé que não pousem na pegada que deixaram outros. Esta pusilanimidade torna as obras trôpegas, dá-lhes uma expressão estafada; e a nós, que partimos, a geração que chega faz-nos o efeito de sair velha do berço e de entrar na arte de muletas. 


 


Os documentos das nossas primeiras loucuras de coração queimámo-los há muito, os das nossas extravagâncias de espírito desejamos que fiquem. Aos vinte anos é preciso que alguém seja estroina, nem sempre talvez para que o mundo progrida, mas ao menos para que o mundo se agite. Para se ser ponderado, correcto e imóvel há tempo de sobra na velhice.


 


Prefácio da 3ª edição de O Mistério da Estrada de Sintra


 

publicado por Queirosiana às 08:50 | link do post | comentar
Terça-feira, 22.02.11

O Mistério da Estrada de Sintra #11

Há catorze anos (...) Havia já então terminado o feliz reinado do Senhor D. João VI. Falecera o simpático Garção, Tolentino o jucundo, e o sempre chorado Quita. Além do Passeio Público, já nessa época evacuado como o resto do país pelas tropas de Junot, encarregava-se também de falar às imaginações o Sr. Octave Feuillet. O nome de Flaubert não era familiar aos folhetinistas. Ponson du Terrail trovejava no Sinai dos pequenos jornais e das bibliotecas económicas. O Sr. Jules Claretie publicava um livro entitulado... (ninguém hoje se lembra do título) do qual diziam comovidamente os críticos: - Eis aí uma obra que há-de ficar!... Nós, enfim, éramos novos.


 


O que pensamos hoje do romance que escrevemos há catorze anos?... Pensamos simplesmente - louvores a Deus! - que ele é execrável; e nenhum de nós, quer como romancista quer como crítico, deseja, nem ao seu pior inimigo, um livro igual. Porque nele há um pouco de tudo quanto um romancista lhe não deveria pôr e quase tudo quanto um crítico lhe deveria tirar."


 


Prefácio da 3ª edição de O Mistério da Estrada de Sintra


 


 

publicado por Queirosiana às 20:35 | link do post | comentar

O Mistério da Estrada de Sintra #10

Comecei ontem (finalmente!) a ler a obra acima entitulada. Confesso que já estou "pregada" ao livro - tem uma escrita viciante que estimula a nossa curiosidade e nos faz querer saber mais. Foi dificil largá-lo ontem para ir dormir.


Tratando-se então de uma análise à obra, iniciaremos pelo prefácio, um texto que me fez exclamar "já não se escreve assim hoje em dia, isto é delicioso!".


 




 


PREFÁCIO (da 3ª edição)


CARTA AO EDITOR DO "MISTÉRIO DA ESTRADA DE SINTRA"


 


Há catorze anos, numa noite de Verão, no Passeio Público, em frente de duas chávenas de café, penetrados pela tristeza da grande cidade que em torno de nós cabeceava de sono ao som de um soluçante pot-pourri dos Dois Foscaris, deliberámos reagir sobre nós mesmos e acordar tudo aquilo a berros, num romance tremendo, buzinando à Baixa das alturas do Diário de Notícias. (...)


 


Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão


 

publicado por Queirosiana às 11:38 | link do post | comentar

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