O Mistério da Estrada de Sintra #14

Foi em 1870. Ramalho Ortigão chegara havia dois anos a Lisboa, vindo do Porto. E Eça de Queiroz tomaria posse a 30 de Julho do cargo de administrador do concelho de Leiria. Alguns dias antes, concluíra-se no jornal Revolução de Setembro a publicação do seu folhetim " A Morte de Jesus".


 


O país, que o golpe militar do Duque de Saldanha sobressaltara de leve em Maio, retomava a sua regra de sucessão de ministérios efémeros e a sua pasmaceira de terra preocupada apenas com os acontecimentos... franceses. Discutia-se com paixão a guerra franco-prussiana e a sorte do Segundo Império.


 


De que haviam então de lembrar-se Eça e Ramalho? Nas suas próprias palavras, de "acordar tudo aquilo a berros". De modo que, entre 24 de Julho e 27 de Setembro desse ano de 1870, publicaram no Diário de Notícias uma história rocambolesca (...).


 


E o país acordou de facto, estremunhado. E tendo acordado assustou-se. Porque tomou a ficção por realidade. Para gáudio dos dois amigos, ao longo desses meses de Verão, as pessoas precipitaram-se todas as manhãs a comprar o jornal, para ver que novos horrores a noite tinha revelado.(...)


 


Texto na contracapa  da 1ª Edição (Outubro 2007) de "O Mistério da Estrada de Sintra", Colecção Clássicos da Literatura (colecção exclusiva para Modelo Continente Hipermercados SA), Livros do Brasil


 

publicado por Queirosiana às 12:19 | link do post | comentar