O Mistério da Estrada de Sintra #12

A mocidade que nos sucedeu, em vez de ser inventiva, audaz, revolucionária, destruidora de ídolos, parece-nos servil, imitadora, copista, curvada demais diante dos mestres. Os novos escritores não avançam um pé que não pousem na pegada que deixaram outros. Esta pusilanimidade torna as obras trôpegas, dá-lhes uma expressão estafada; e a nós, que partimos, a geração que chega faz-nos o efeito de sair velha do berço e de entrar na arte de muletas. 


 


Os documentos das nossas primeiras loucuras de coração queimámo-los há muito, os das nossas extravagâncias de espírito desejamos que fiquem. Aos vinte anos é preciso que alguém seja estroina, nem sempre talvez para que o mundo progrida, mas ao menos para que o mundo se agite. Para se ser ponderado, correcto e imóvel há tempo de sobra na velhice.


 


Prefácio da 3ª edição de O Mistério da Estrada de Sintra


 

publicado por Queirosiana às 08:50 | link do post | comentar