O Mistério da Estrada de Sintra #11

Há catorze anos (...) Havia já então terminado o feliz reinado do Senhor D. João VI. Falecera o simpático Garção, Tolentino o jucundo, e o sempre chorado Quita. Além do Passeio Público, já nessa época evacuado como o resto do país pelas tropas de Junot, encarregava-se também de falar às imaginações o Sr. Octave Feuillet. O nome de Flaubert não era familiar aos folhetinistas. Ponson du Terrail trovejava no Sinai dos pequenos jornais e das bibliotecas económicas. O Sr. Jules Claretie publicava um livro entitulado... (ninguém hoje se lembra do título) do qual diziam comovidamente os críticos: - Eis aí uma obra que há-de ficar!... Nós, enfim, éramos novos.


 


O que pensamos hoje do romance que escrevemos há catorze anos?... Pensamos simplesmente - louvores a Deus! - que ele é execrável; e nenhum de nós, quer como romancista quer como crítico, deseja, nem ao seu pior inimigo, um livro igual. Porque nele há um pouco de tudo quanto um romancista lhe não deveria pôr e quase tudo quanto um crítico lhe deveria tirar."


 


Prefácio da 3ª edição de O Mistério da Estrada de Sintra


 


 

publicado por Queirosiana às 20:35 | link do post | comentar