Nota Bibliográfica: Antero de Quental


 


Antero Tarquínio de Quental nasceu a 18 de Abril de 1842 em Ponta Delgada na Ilha de S. Miguel nos Açores.


Mudou-se para Coimbra aos 16 anos e "em 1858 matriculou-se na faculdade de Direito onde o primeiro ano decorreu de uma forma atribulada. Um excesso cometido durante a praxe aos caloiros custou a Antero de Quental oito dias de prisão. Tendo sido muito popular no meio académico, Antero concluiu o curso em Julho de 1864.


 


Foi um dos principais envolvidos na Questão Coimbrã, lançando ataques a António Feliciano de Castilho, seu antigo professor e reconhecido crítico literário que se tinha por cânone para os escritores nacionais, com o livro Odes modernas. Castilho respondeu com críticas duras sobre o aventureirismo de um jovem tolo que escrevia de forma assaz estranha e de gosto muito duvidoso. Antero respondeu com o opúsculo Bom senso e bom gosto, definindo a sua literatura por oposição à instituída. Ao Ultra-Romantismo decadente, beato, estupidificante e moralmente degradado, Antero opunha o Realismo, a exposição da vida tal como ela era, das chagas da sociedade, da pobreza, da exploração. Estas preocupações sociais levaram-no a co-fundar o Partido Socialista Português: Antero defendia a poesia como Voz da Revolução, como forma de alertar as consciências para as desigualdades sociais e para os problemas da humanidade. A polémica só terminou com um duelo entre Antero de Quental e Ramalho Ortigão, que se saldou com ferimentos ligeiros.


 


Em 1866 foi viver em Lisboa, onde experimentou a vida de operário, trabalhando como tipógrafo. Uma profissão que exerceu também em Paris, em 1867. Em 1868 regressou a Lisboa, onde formou o Cenáculo, de que fizeram parte, entre outros, Eça de Queirós e Ramalho Ortigão." Em 1873 herdou uma quantia considerável de dinheiro, o que lhe permitiu viver dos rendimentos dessa fortuna.


Em 1879 mudou-se para o Porto. Em 1880, adoptou as duas filhas do seu amigo, Germano Meireles, que falecera em 1877.


 


Regressou a Lisboa, em Maio de 1891, instalou-se em casa da irmã, Ana de Quental. Portador de Transtorno Bipolar, nesse momento o seu estado de depressão era permanente. Após um mês, em Junho de 1891, regressou a Ponta Delgada. No dia 11 de Setembro, após ter comprado um revólver, Antero suicida-se no Largo de São Francisco, junto ao Convento da Esperança.


 


Principais Obras: Odes Modernas, Bom Senso e Bom Gosto, Primaveras Românticas (...)



publicado por Queirosiana às 15:38 | link do post | comentar