Questão Coimbrã #2

"Em 1865, solicitado a apadrinhar com um posfácio o Poema da Mocidade de Pinheiro Chagas, Castilho aproveitou a ocasião para, sob a forma de uma Carta ao editor António Maria Pereira, inculcar o poeta apadrinhado como candidato mais idóneo à cadeira de Literaturas Modernas no Curso Superior de Letras, e censurar um grupo de jovens de Coimbra, acusando-os de exibicionismo livresco, de obscuridade propositada e de tratarem temas que nada tinham que ver com a poesia."


 


Referia-se a Teófilo Braga (que por ironia do destino viria a ser um futuro candidato a essa cadeira de Literatura), Antero de Quental e Vieira de Castro, que Castilho exceptuou da sua ridicularização da "escola coimbrã". "Antero de Quental respondeu com uma Carta com o título "Bom senso e bom gosto" a Castilho, que saiu em folheto. Nela defendia a independência dos jovens escritores; apontava a gravidade da missão dos poetas da época de grandes transformações em curso e a necessidade de eles serem os arautos dos grandes problemas ideológicos da actualidade, e metia a ridículo a futilidade e insignificância da poesia de Castilho."


 


"Pouco depois Teófilo Braga solidarizava-se com Antero no folheto Teocracias Literárias, 1866", no qual afirmava que Castilho devia a celebridade à circunstância de ser cego. "Entretanto, Antero desenvolvia as ideias já expostas na Carta a Castilho com o folheto A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais, 1865", evidenciando a necessidade de criar uma literatura que estivesse à altura de tratar os temas mais importantes da actualidade.


 


Adaptado de: História da Literatura Portuguesa (DVD),
2002 Porto Editora, Lda.

publicado por Queirosiana às 11:59 | link do post | comentar