Segunda-feira, 28.02.11

As Farpas (1871-1872) #8

 



 


 


Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão


As Farpas


Coordenação Maria Filomena Mónica


Principia, 2007


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 

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As Farpas (1871-1872) #7

Em estreita consonância com o pensamento revolucionário do Realismo, alguns dos homens do tempo dedicam-se à literatura de combate, doutrinária, panfletária, obra de propaganda e de acção civilizadora. Para realizá-la, empregam indirectamente a prosa de ficção e a poesia, e directamente o panfleto e o folhetim. A primeira publicação no género destes últimos foram As Farpas, aparecidas em 1871, no ano mesmo das Conferências do Casino Lisbonense, decerto inspiradas em Les Guépes (1839-1849), do Francês Alphonse Karr (1808-1890), e escritas em colaboração por Eça e Ramalho Ortigão: o primeiro, até 1872, quando ingressa na carreira diplomática, e o segundo, dali por diante, até 1882. Em 1887, As Farpas voltam a circular por três anos, ainda sob a direcção de Ramalho, o mesmo acontecendo entre 1911 e 1915. Nessas sucessivas reaparições, o periódico foi sofrendo gradual metamorfose, que, entretanto, não lhe altera o carácter originário de órgão polémico e crítico da sociedade Portuguesa. (...)


 


Massaud Moisés, A Literatura Portuguesa
Editora Cultrix, São Paulo


 


Texto Integral no Blogue Aula de Literatura Portuguesa


 

publicado por Queirosiana às 15:30 | link do post | comentar

As Farpas (1871-1872) #6

No mesmo ano em que decorrem as Conferências do Casino, e orientada no mesmo sentido de crítica geral da sociedade portuguesa, aparece uma publicação mensal redigida por Eça de Queirós e por Ramalho Ortigão - As Farpas . Cada número constituía um comentário crítico e satírico aos acontecimentos e instituições, orientado segundo um ideário cuja principal fonte era, então, a obra de Proudhon.



O artigo inicial, redigido por Eça de Queirós, sobre o Estado Social de Portugal em 1871, faz um juízo muito demolidor da vida social, económica e política, da religião, da opinião pública, do jornalismo e da literatura. Este artigo importa muito, porque nos dá, como veremos, o travejamento doutrinário da obra de Eça de Queirós desde O Crime do Padre Amaro até a Os Maias . Sob o aspecto literário, criticava Eça o lirismo tradicional de "pequeninas sensibilidades pequeninamente contadas por pequeninas vozes", onde, de todo o vasto universo, apenas se ouve "o rumor das saias de Elvira"; lirismo convencional e hipócrita, que nem exprime o temperamento do poeta nem satisfaz a tendência da sociedade - e, por cima disso, imoral. Criticava o romance passional, apoteose do adultério, com nefastas consequências na educação feminina, a qual ainda o preocupará em duas Farpas de 1872; o teatro, que se limitava a decalcar declamações de obras conhecidas; etc.



Desde a saída de Eça de Queirós para Cuba, em fins de 1872, no início da sua carreira diplomática, Ramalho manteve sozinho as Farpas, que continuaram a sair, aliás irregularmente, até 1882, alterando profundamente o seu espírito. (...)


 


Mas sem Eça perderam as Farpas o seu mentor. Faltava a Ramalho um ideário definido e o dom da ironia. À direcção de Eça sucede em Ramalho a influência de Teófilo Braga, que o leva a transitar do proudhonismo para o positivismo. As Farpas tornam-se mais descritivas, enchem-se de pitoresco regional, e ao mesmo tempo adquirem um tom didáctico. (...)


 


História da Literatura Portuguesa (DVD)
Porto Editora


 


Texto Integral no Blogue Aula de Literatura Portuguesa


 

publicado por Queirosiana às 14:23 | link do post | comentar

As Farpas (1871-1872) #5

"São uma colecção de pilhérias envelhecidas que não valem o papel em que estão impressas" e descreve-as como "unicamente um riso imenso, trotando, como as tubas de Josué, em torno a cidadelas que decerto não perderam uma só pedra, por que as vejo ainda, direitas, mais altas, da dor torpedo lodo, estirando por cima de nós a sua sombra mimosa". (...) "todo este livro é um riso que peleja"


 


Numa carta de Eça de Queiroz a Ramalho Ortigão de 24 Outubro de 1890


 



publicado por Queirosiana às 14:21 | link do post | comentar

As Farpas (1871-1872) #4

As Farpas são crónicas publicadas mensalmente da autoria de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão. Porém, a nomeação de Eça como Cônsul de Havana obrigam-no a abandonar o projecto. (...)


 


As Farpas são, assim, uma admirável caricatura da sociedade da época. Altamente críticos e irónicos, estes artigos satirizam, com muito humor à mistura, a imprensa e o jornalismo partidário ou banal; a Regeneração, e todas as suas repercussões, não só a nível político mas também económico, cultural, social e até moral; a religião e a fé católica; a mentalidade vigente, com a segregação do papel social da mulher; a literatura romântica, falsa e hipócrita.


As Farpas são, assim, um novo e inovador conceito de jornalismo - o jornalismo de ideias, de crítica social e cultural.


 


"Eça não se limita, todavia, a galhofar. As suas Farpas constituem um sistemático e quase que completo curso de sociologia do Portugal da Regeneração, observado de alto a baixo, nas câmaras e nas ruas, nos mercados e nas prisões, nos gabinetes da administração e nas praias onde labutam e naufragam pescadores, nas salas domésticas onde se entendiam pescadores e tomam chá com torradas as famílias, nas igrejas onde rezam beatas ou se realizam eleições, nos teatros onde se representam peças pífias e mal traduzidas, nas redacções onde se panteia em péssimo jornalismo, o que sucede tanto em matéria de política como em casos mais triviais do dia a dia do país."*


 


*In Dicionário de Eça de Queirós, pág. 264.


 


INFORMAÇÃO RETIRADA DO SITE CITI

publicado por Queirosiana às 13:17 | link do post | comentar

As Farpas (1871-1872) #3


 


AS FARPAS
As farpas : chronica mensal da politica das letras e dos costumes / Ramalho Ortigão, Eça de Queiroz. - 1871-s. 4, n. 3 (Jun. 1883). - Lisboa : Typ. Universal, 1871-1883. - 14 cm http://purl.pt/256

publicado por Queirosiana às 12:08 | link do post | comentar

As Farpas (1871-1872) #2

A DIVISÃO


 



  • As Farpas "O País e a Sociedade Portuguesa" (1871-1872), Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão

  • As Farpas "O País e a Sociedade Portuguesa" (1872-1882), Ramalho Ortigão

  • As Farpas - Uma Campanha Alegre I e II (1890), Eça de Queiroz

  • As Farpas - 11 volumes (1887-1890), Ramalho Ortigão

  • As Farpas Esquecidas (publicadas 1946-1947), Ramalho Ortigão

  • As Últimas Farpas (publicadas 1946; escritas entre 1911-1915), Ramalho Ortigão

publicado por Queirosiana às 11:59 | link do post | comentar

As Farpas (1871-1872) #1


 


 


Este será o próximo desafio: Ler "As Farpas" da autoria de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão.


 

publicado por Queirosiana às 11:54 | link do post | comentar

O Mistério da Estrada de Sintra #34

UMA QUESTÃO DE HONRA




Já me surpreendera antes, com outras obras da época, mas com O Mistério da Estrada de Sintra aflorou-se novamente esta ideia de "honra". Existem inúmeras passagens no livro, pena não as ter assinalado todas, em que as personagens apelam à sua honra, à sua palavra como prova de confiança e verdade.


 


"(...) procurei o meu amigo para lhe ler a passagem que lhe dizia respeito, e pôr-me à sua disposição no caso que precisasse de mim para pedir, quanto antes, à redacção do Diário de Notícias a satisfação de honra, que homens de educação e de brio não poderiam decerto recusar a semelhante agravo (...)"


 


Capítulo "Intervenção de Z"


 


"(...) As mesmas notícias que lhe tenho dado, as cartas que precipitadamente comecei a escrever-lhe, e que hoje, posto que acobertado pelo anónimo, me vejo na obrigação moral de concluir e desenlaçar, não serão já perante a severidade incorruptível, despreocupada e fria dos homens de bem, uma traição aos imprescritíveis deveres da amizade, um agravo à inviolabilidade do sigilo, uma ofensa a esse culto íntimo que se baseia na delicadeza, no melindre, no primor - culto que para as almas honradas constitui uma parte dos princípios supremos da primeira das religiões - a religião do carácter? (...)"


 


Capítulo "De F... Ao Médico", Parte IV


 


Hoje em dia já não se ouve este género de frases. O que dizemos tem de ser provado documentalmente, é o B.I. é a carta de condução - não estou a criticar, é apenas um facto - naquele tempo a questão da honra e da palavra era levada ao expoente. Apresentáva-mo-nos como "fulano tal" e ninguém duvidava. Jurávamos pela nossa honra e isso valia como prova de confiança, ética e de verdade. Hoje em dia tudo isto parece descartável. O que dizemos hoje, mais das vezes, tem poucas consequências no dia seguinte. Não chego ao ponto de afirmar que a "honra" se perdeu, mas enquanto ideal de ética do tempo de Eça de Queiroz sim, certamente.


 

publicado por Queirosiana às 11:44 | link do post | comentar
Domingo, 27.02.11

O Mistério da Estrada de Sintra #33

PERSONAGENS


 



  • Doutor***


Médico raptado na Estrada de Sintra para confirmar a morte/homicídio e quais as causas.



  • F.


Amigo do doutor*** raptado com ele. Escritor ilustre e conhecido.



  • A.M.C.


Médico originário de Viseu sobre quem incide a suspeita do homicídio. Noivo de Teresinha.



  • Z.


Amigo íntimo de A.M.C. que vem limpar o nome de Z.



  • Mascarado Alto


Um dos mascarados que rapta os dois amigos na estrada de Sintra e que nos conta a história de paixão entre a Condessa W. e Rytmel. Primo da Condessa W.



  • Condessa W. (Luísa)


A grande personagem feminina da obra. Ardente apaixonada de Rytmel.



  • Conde W.


Marido da Condessa W., muito rico.



  • Capitão Rytmel


Capitão inglês morto no início da história.



  • Carmén Puebla


Uma mulher espanhola casada com Nicázio e amante de Rytmel por quem se rói de ciúmes ao vê-lo com a Condessa W.



  • Nicázio Puebla


Marido de Carmén Puebla e que deseja ver-se livre dela.



  • Fradique Mendes


Amigo da Condessa W.



  • Miss Shorn


Mulher irlandesa que chama à atenção de Rytmel e por quem a Condessa W. sente ciúmes.



  • Frederico Friedlann


Cidadão Prussiano, com quem F. fala por uma frecha na parede e a quem entrega uma carta para o amigo doutor***.


 


 

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A Tragédia da Rua das Flores

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