Segunda-feira, 24.01.11

Colecção Eça de Queiroz


 


Colecção de Eça de Queiroz disponível na Biblioteca Nacional Digital


 

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Colecção Castilho


 


Colecção de Castilho disponível na Biblioteca Nacional Digital


 


 

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Colecção Antero de Quental

 



 


Colecção disponível na Biblioteca Nacional Digital

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Domingo, 23.01.11

O Mistério da Estrada de Sintra #8


 


Disponível online no aqui e aqui.


 

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Nota Bibliográfica: Antero de Quental


 


Antero Tarquínio de Quental nasceu a 18 de Abril de 1842 em Ponta Delgada na Ilha de S. Miguel nos Açores.


Mudou-se para Coimbra aos 16 anos e "em 1858 matriculou-se na faculdade de Direito onde o primeiro ano decorreu de uma forma atribulada. Um excesso cometido durante a praxe aos caloiros custou a Antero de Quental oito dias de prisão. Tendo sido muito popular no meio académico, Antero concluiu o curso em Julho de 1864.


 


Foi um dos principais envolvidos na Questão Coimbrã, lançando ataques a António Feliciano de Castilho, seu antigo professor e reconhecido crítico literário que se tinha por cânone para os escritores nacionais, com o livro Odes modernas. Castilho respondeu com críticas duras sobre o aventureirismo de um jovem tolo que escrevia de forma assaz estranha e de gosto muito duvidoso. Antero respondeu com o opúsculo Bom senso e bom gosto, definindo a sua literatura por oposição à instituída. Ao Ultra-Romantismo decadente, beato, estupidificante e moralmente degradado, Antero opunha o Realismo, a exposição da vida tal como ela era, das chagas da sociedade, da pobreza, da exploração. Estas preocupações sociais levaram-no a co-fundar o Partido Socialista Português: Antero defendia a poesia como Voz da Revolução, como forma de alertar as consciências para as desigualdades sociais e para os problemas da humanidade. A polémica só terminou com um duelo entre Antero de Quental e Ramalho Ortigão, que se saldou com ferimentos ligeiros.


 


Em 1866 foi viver em Lisboa, onde experimentou a vida de operário, trabalhando como tipógrafo. Uma profissão que exerceu também em Paris, em 1867. Em 1868 regressou a Lisboa, onde formou o Cenáculo, de que fizeram parte, entre outros, Eça de Queirós e Ramalho Ortigão." Em 1873 herdou uma quantia considerável de dinheiro, o que lhe permitiu viver dos rendimentos dessa fortuna.


Em 1879 mudou-se para o Porto. Em 1880, adoptou as duas filhas do seu amigo, Germano Meireles, que falecera em 1877.


 


Regressou a Lisboa, em Maio de 1891, instalou-se em casa da irmã, Ana de Quental. Portador de Transtorno Bipolar, nesse momento o seu estado de depressão era permanente. Após um mês, em Junho de 1891, regressou a Ponta Delgada. No dia 11 de Setembro, após ter comprado um revólver, Antero suicida-se no Largo de São Francisco, junto ao Convento da Esperança.


 


Principais Obras: Odes Modernas, Bom Senso e Bom Gosto, Primaveras Românticas (...)



publicado por Queirosiana às 15:38 | link do post | comentar
Sábado, 22.01.11

O Mistério da Estrada de Sintra #7

"Já lhe agradeci e li O Mistério da Estrada de Cintra. Achei-o admirável pelas brilhantes audacias de linguagem. Foi este livro que iniciou a reforma das milicias litterarias indígenas, a tropa fandanga de que eu fiu cabo de esquadra. A evolução do estylo data d'ahi. (...) O mystério há de ficar assignalado no desenvolvimento das bellas cousas que estavam embryonarias no vocabulario marasmado durante dois séculos.".


 


Alfredo Cunha (Director do DN), numa carta ao editor António Maria Pereira, dirigida por Camilo Castelo Branco


 



publicado por Queirosiana às 09:24 | link do post | comentar
Sexta-feira, 21.01.11

Questão Coimbrã #5

A «Questão», embora aparentemente literária, denunciava incompatibilidades mais profundas. Os jovens universitários de 1865 reagiam contra a falsidade que representavam muitos outros aspetos da vida nacional, produto da adaptação das formas alienígenas do liberalismo à velha estrutura tradicional do País. A revolta da mocidade coimbrã havia de eclodir num movimento político, filosófico e literário, cuja amplitude ultrapassou talvez a do próprio Romantismo. Este grupo que se sublevou contra Castilho era o mesmo que, acrescido de personalidades com tendências paralelas, havia de tratar, em 1871, nas Conferências Democráticas do Casino, de colocar Portugal a par da atualidade europeia, ligando-o «com o movimento moderno», estudando «as condições de transformação política, económica e religiosa da sociedade portuguesa». (…) conta Antero, na sua «Carta a W Storck» –, o que se viu mais claramente foi que havia em Portugal um grupo de 16 ou 20 rapazes, que não queriam saber nem da Academia nem dos Académicos, que já não eram católicos nem monárquicos, que falavam de Goethe e Hegel como os velhos tinham falado de Chateaubriand e de Cousin; (…) que inspiravam talvez pouca confiança pela petulância e pela irreverência, mas que, inquestionavelmente, tinham talento e estavam de boa fé, e que, em suma, havia a esperar deles alguma coisa, quando assentassem. Os factos confirmaram esta impressão; os dez ou doze primeiros nomes da literatura de hoje saíram (salvo dois ou três) da Escola Coimbrã, ou da influência dela». E assim é. Hoje, já com a perspetiva que dá a distância histórica, essa geração surgida à vida pública na famosa «Questão» avulta como uma das mais brilhantes constelações que a cultura portuguesa produziu em qualquer época.


 


Guerra da Cal, Ernesto, DICIONÁRIO DE LITERATURA, 3ª edição, 3º volume, Porto, Figueirinhas, 1979

publicado por Queirosiana às 12:53 | link do post | comentar
Quinta-feira, 20.01.11

O Mistério da Estrada de Sintra #6

O Mistério da Estrada de Sintra está traduzido para Francês (Le Mystère de la route de Sintra), Espanhol (El misterio de la carretera de Cintra), Italiano (Il Misterio Della Strada di Sintra).


 


publicado por Queirosiana às 08:21 | link do post | comentar
Quarta-feira, 19.01.11

Questão Coimbrã #4

Nos primeiros anos do terceiro quartel do séc. XIX, (…) o Romantismo português propriamente dito já tinha dado quanto dele se podia esperar. Depois da morte de Garrett (…) Ficara, pois, Castilho, em redor do qual se agruparam em Lisboa as hostes ultrarromânticas. Castilho, (…) Grande purista, mestre do idioma, dotado de escassa imaginação criadora, nunca fora realmente romântico, embora seja em regra mencionado como terceiro mentor do movimento. Formado na dissolução do neoclassicismo arcádico, que nunca abandonou, encarnava uma peculiar adaptação das formas externas do Romantismo a um espírito pseudo-clássico. (…) Era ele, pois, o obstáculo com que havia de tropeçar a nova rebeldia da geração intelectual que por volta de 1865 se estava formando em Coimbra. Esta geração já desde 1861 vinha dando provas do seu pendor para a rebeldia à disciplina universitária com ruidos os tumultos, irreverências e revoltas – que indicavam claramente a inconformidade da juventude académica com os valores oficiais da sociedade em que vivia. A chamada «Questão de Coimbra» ou do «Bom senso e Bom gosto» foi a primeira manifestação importante dessa mocidade, (…) Com a famosa «Questão Coimbrã» se pode dizer que se inicia o espírito contemporâneo nas letras portuguesas. Com ela entram em conflito aberto o novo espírito cientifico europeu e o velho sentimentalismo, domesticado e retoricizado, do Ultrarromantismo vernáculo. O novo lirismo que aparecia, social, humanitário e crítico, não se alçava apenas contra a tirania do gosto literário vigente, exercida por Castilho – que esses rapazes alcunharam de «árcade póstumo» - mas também, e de modo mais vasto, contra todos os conceitos políticos, históricos e filosóficos que ele e os seus satélites literários simbolizavam.


 


Guerra da Cal, Ernesto, DICIONÁRIO DE LITERATURA, 3ª edição, 3º volume, Porto, Figueirinhas, 1979


 



publicado por Queirosiana às 12:49 | link do post | comentar
Terça-feira, 18.01.11

Bom Senso e Bom Gosto - Carta ao Excelentíssimo Senhor António Feliciano de Castilho

Depois de ler tanta informação sobre a Questão Coimbrã, achei essencial fazer uma pequena incursão a este livro de Antero de Quental, a obra que inflamou o Portugal do séc. XIX. Deixo aqui um excerto.


 


 




 


 


"Acabo de ler um escripto e v. ex.ª onde, a proposito de faltas de bom-senso e de bom-gosto, se falla com aspera censura da chamada eschola litteraria de Coimbra, e entre dois nomes illustres se cita o meu, quasi desconhecido e sobre tudo desambicioso.


 


Esta minha obscuridade faz com que a parte de censura que me cabe seja sobre maneira diminuta: em quanto que, por outro lado, a minha despreoccupação de fama litteraria, os meus habitos de espirito e o meu modo de vida, me tornam essa mesma pequena parte que me resta tão indifferente, que é como que se a nada a reduzissemos. (...)


 


Isto, resumido em poucas palavras, quer dizer: combatem-se os hereges da eschola de Coimbra por causa do negro crime de sua dignidade, do atrevimento de sua rectidão moral, do attentado de sua probidade litteraria, da impudencia e miseria de serem independentes e pensarempor suas cabeças. E combatem-se por faltarem ás virtudes de respeito humilde ás vaidades omnipotentes, de submissão estupida, de baixeza e pequenez moral e intellectual.


 


V. ex.ª, com a imparcialidade que todos lhe conhecemos, deve confessar que uma guerra assim feita é não só mal feita, mas tambem pequena e miseravelmente feita. Mas é que a eschola de Coimbra commetteu effectivamente alguma cousa peior de que um crime—commetteu uma grande falta: quiz innovar. Ora, para as litteraturas officiaes, para as reputações estabelecidas, mais criminoso do que manchar a verdade com a baba dos sophismas, do que envenenar com o erro as fontes do espirito publico, do que pensar mal, do que escrever pessimamente, peior do que isto é essa falta de querer caminhar por si, de dizer e não repetir, de inventar e não de copiar. (...) nnovar é dizer aos prophetas, aos reveladores encartados: «ha alguma cousa que vós ignoraes; alguma cousa que nunca pensastes nem dissestes; ha mundo além do circulo que se vê com os vossos oculos de theatro; ha mundo maior do que os vossos systemas, mais profundo do que os vossos folhetins; ha universo um pouco mais extenso e mais agradavel sobre tudo do que os vossos livros e os vossos discursos.» Isto, sim, que é intoleravel! Isto, sim, que é infame e revoltante e impio e subversivo! Contra isto, sim, ás armas, ergamo-nos na nossa força, mostremos o que somos e o que podemos... escrevamos tres folhetins e um prologo!... (...)


 


Coimbra 2 de Novembro de 1865.


 


Nem admirador nem respeitador


 


Anthero do Quental"


 


 




 


Texto integral aqui.



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