As Farpas (1871-1972) #13

Nós não quisemos se cúmplices na indiferença universal. E aqui começamos serenamente, sem injustiça e sem cólera, a apontar dia por dia o que poderíamos chamar - o progresso da decadência. (...) Não sabemos se a mão que vamos abrir está ou não cheia de verdades. Sabemos que está cheia de negativas. Não sabemos, talvez, onde se deva ir;sabemos decerto, onde se não deve estar. (...) E na epiderme de cada facto contemporâneo cravaremos uma farpa: apenas a porção de ferro estritamente indispensável para deixar pendente um sinal. (...) Vamos rir pois. O riso é um castigo; o riso é uma filosofia. Muitas vezes o riso é uma salvação. Na política constitucional o riso é uma opinião.

 

In As Farpas (edição de Outubro 2004), Maio de 1871

 


 

publicado por Queirosiana às 11:37 | link do post | comentar