As Farpas (1871-1872) #4

As Farpas são crónicas publicadas mensalmente da autoria de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão. Porém, a nomeação de Eça como Cônsul de Havana obrigam-no a abandonar o projecto. (...)


 


As Farpas são, assim, uma admirável caricatura da sociedade da época. Altamente críticos e irónicos, estes artigos satirizam, com muito humor à mistura, a imprensa e o jornalismo partidário ou banal; a Regeneração, e todas as suas repercussões, não só a nível político mas também económico, cultural, social e até moral; a religião e a fé católica; a mentalidade vigente, com a segregação do papel social da mulher; a literatura romântica, falsa e hipócrita.


As Farpas são, assim, um novo e inovador conceito de jornalismo - o jornalismo de ideias, de crítica social e cultural.


 


"Eça não se limita, todavia, a galhofar. As suas Farpas constituem um sistemático e quase que completo curso de sociologia do Portugal da Regeneração, observado de alto a baixo, nas câmaras e nas ruas, nos mercados e nas prisões, nos gabinetes da administração e nas praias onde labutam e naufragam pescadores, nas salas domésticas onde se entendiam pescadores e tomam chá com torradas as famílias, nas igrejas onde rezam beatas ou se realizam eleições, nos teatros onde se representam peças pífias e mal traduzidas, nas redacções onde se panteia em péssimo jornalismo, o que sucede tanto em matéria de política como em casos mais triviais do dia a dia do país."*


 


*In Dicionário de Eça de Queirós, pág. 264.


 


INFORMAÇÃO RETIRADA DO SITE CITI

publicado por Queirosiana às 13:17 | link do post | comentar